Paysandu apresenta nova camisa 'Eterna' em celebração aos 10 anos da marca Lobo | Reprodução/Paysandu

Uma ideia que deu certo: marca própria do Paysandu chega aos 10 anos

A Lobo, empresa de fornecimento de material esportivo fundada pelo Paysandu, celebra seus dez anos de atividade. Nos últimos anos, segundo o Papão, a operação se tornou a principal fonte de receita comercial do clube, ajudando a diminuir a dependência de resultados esportivos.

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O projeto teve início em 2016, durante a presidência de Alberto Maia, como resultado da decisão estratégica de abandonar o modelo convencional de fornecimento esportivo. A proposta era evidente: consolidar a identidade institucional do Paysandu, estreitar a relação do clube com sua torcida e estabelecer uma estrutura própria para a geração de receitas. A Lobo teve seu lançamento oficial em fevereiro daquele ano.

O mercado respondeu de forma imediata, nos primeiros meses, os valores obtidos com a nova marca se aproximaram do que o clube recebia anualmente da antiga fornecedora. A liberdade criativa possibilitou a criação de coleções ligadas à história, aos símbolos e à cultura bicolor, aumentando o envolvimento dos torcedores.

A expansão ganhou impulso em 2016 com a inauguração de novas lojas e iniciativas de grande relevância, como a apresentação do uniforme da temporada seguinte, que atraiu aproximadamente 10 mil torcedores para um dos principais locais de eventos da Região Metropolitana de Belém. Ao mesmo tempo, os produtos começaram a adotar tecnologias têxteis e padrões industriais empregados por renomadas marcas internacionais.

A Lobo é um ativo estratégico do Paysandu Crédito: Divulgação / Paysandu

De 2017 a 2019, a Lobo apresentou um crescimento constante tanto no faturamento quanto na diversificação de produtos, consolidando-se como referência e inspirando outros clubes a adotarem modelos parecidos. Contudo, o progresso também destacou as dificuldades de gerenciar uma cadeia completa dentro de um clube de futebol, o que inclui estoque, logística, fornecedores e operações B2B.

Nesse contexto, a administração de Ricardo Gluck Paul decidiu, em 2019, implementar uma mudança estrutural profissionalizar a marca e separar permanentemente a operação comercial do caixa do clube. O novo formato foi implementado em 2020, durante a pandemia.

A partir desse momento, o Paysandu começou a receber os valores apenas por meio de royalties e fundos vinculados, delegando aos parceiros os riscos operacionais, os custos de produção, os impostos e a folha de pagamento. O modelo aboliu o chamado caixa cruzado e proporcionou mais previsibilidade financeira.

Com mais de R$ 5 milhões em investimentos, a Lobo ampliou sua presença por meio do sistema de franquias. O total de lojas triplicou, todas funcionando com padrões unificados de administração, organização e procedimentos. A presença unificada nos canais B2B e B2C consolidou ainda mais a marca.

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No período de 2022 a 2024, a Lobo gerou R$ 11,21 milhões em receitas diretas para o Paysandu, consolidando-se como o principal patrocinador do clube. No mesmo período, o segundo maior parceiro comercial investiu R$ 7,33 milhões. Em 2024, o clube arrecadou aproximadamente R$ 4,2 milhões apenas por meio de royalties e fundos vinculados.

Os números destacam o progresso do modelo, o resultado acumulado foi de R$ 8,13 milhões entre 2016 e 2019, período em que a operação era interna, com uma média anual de R$ 2,03 milhões. Entre 2020 e 2024, sob administração profissional, o montante alcançou R$ 16,11 milhões, aumentando a média anual para R$ 3,22 milhões. O desempenho foi ainda mais significativo quando o ano pandêmico foi excluído.