📷 Equipe jurídica do Paysandu é apresentada durante coletiva no Banpará Curuzu |Foto: Jorge Luís Totti/Paysandu

Vai virar SAF? Paysandu abre o jogo sobre possibilidade: “Passaria pelo…”

O processo de recuperação judicial do Paysandu, que foi anunciado de forma inesperada no último sábado, continua gerando bastante discussão. A solução adotada foi baseada em exemplos de clubes brasileiros, conforme mencionado pelo presidente Márcio Tuma. De acordo com o próprio dirigente, a medida não é inédita no futebol.

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Com essa novidade, surgiram questionamentos e sugestões, como a futura possibilidade de formação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), um recurso buscado por clubes brasileiros para quitar dívidas e ampliar o poder de investimento.

Entretanto, em entrevista à TV Liberal, a opção de SAF foi rejeitada por ora, conforme explica Bruno Castro, diretor jurídico do Paysandu.

– Durante esses vinte e poucos anos de Paysandu, eu sempre deixei absolutamente claro que o Paysandu é um clube presidencialista. Dificilmente, eu não sou o presidente do clube, não estou à frente do clube, mas dificilmente uma SAF passaria pelo conselho. Ela tem várias nuances, tem vários detalhes. Há uma legislação própria se avizinhando, chegando próximo, então eu acho muito prematuro se pensar em SAF.

O advogado Bruno Castro é o novo diretor jurídico do Paysandu. | Foto: Jorge Luís Totti/Paysandu

É importante destacar que as SAFs foram possibilitadas pela Lei 14.193/2021, que incentiva os clubes de futebol a fazerem a transição da associação civil sem fins lucrativos para a empresarial.

O Paysandu, sem SAF e com recuperação judicial em curso, procura renegociar uma dívida de aproximadamente R$ 17 milhões (R$ 16.762.086,24). De acordo com Tuma, o clube terá 60 dias, contados a partir da data de aprovação do processo (na última sexta-feira, dia 20), para apresentar um plano de pagamento das dívidas.

Segundo o advogado Felipe Borges, especialista consultado pela reportagem, um dos efeitos imediatos da recuperação judicial é a suspensão das cobranças ao clube por 180 dias, podendo esse prazo ser estendido.

– A partir do momento em que há um deferimento do processamento da recuperação judicial, um dos efeitos imediatos é o stay period, que é um período de suspensão de cobranças, de execuções, de medidas para constranger, para retirar o patrimônio da organização. Esse período de 180 dias é previsto em lei, ele é um efeito automático e pode ser, por decisão judicial, prorrogado por mais 180.

Igor Cardoso, Gabriella Sifuente, Bruno Castro, Mateus Casemiro e Andrey Damasceno formam o Departamento Jurídico do Paysandu. (Cristino Martins / O Liberal)

Inspirando-se nas recuperações judiciais realizadas por Coritiba e Chapecoense (esta última finalizada em 2025), o Paysandu procura uma forma de se reequilibrar financeiramente. Segundo o advogado Felipe Borges, esse processo pode servir como um tempo técnico, durante o qual a equipe bicolor pode virar e vencer o jogo.

– Existem organizações que preveem uma capitalização, um investimento, e aí com isso elas apresentam aos credores quais são as condições e que pretendem pagar esse débito de uma maneira viável e saudável financeiramente. Eu costumo falar que o processo de recuperação judicial, de maneira geral, ele é um tempo técnico, onde você está em uma posição de desvantagem, mas se reorganiza, se reestrutura e volta para o segundo tempo ali para virar o jogo e vencer.