Recuperado de uma lesão muscular e novamente à disposição do técnico Júnior Rocha, o volante Caio Mello voltou a ser o porta-voz do elenco do Paysandu em um momento decisivo da temporada. Antes da viagem para Erechim, onde o Papão enfrenta o Ypiranga-RS neste domingo (5), pela 13ª rodada da Série C do Campeonato Brasileiro, o camisa 8 reconheceu a queda de rendimento da equipe, descartou qualquer acomodação após os títulos conquistados em 2026 e reforçou a necessidade de uma resposta imediata.

O Paysandu chega pressionado para o confronto. Depois de quatro derrotas nas últimas seis rodadas, a equipe viu a vantagem construída no início da competição diminuir e passou a conviver com uma disputa cada vez mais acirrada por uma vaga na segunda fase. Para Caio, porém, o sentimento predominante dentro do grupo está longe da conformidade.
Caio Mello admite incômodo e pede reação
O volante foi enfático ao afirmar que o elenco não aceita a sequência de resultados negativos e destacou que perder não faz parte da cultura do clube.

“Perder com a camisa desse clube nunca vai ser normal. A gente está muito incomodado e muito inconformado. O momento agora é de virar a chave e fortalecer o lado mental, porque o campeonato entrou em uma fase em que todos os jogos serão extremamente difíceis.”
Caio também revelou que procurou incentivar os companheiros durante o período em que esteve afastado por lesão. Segundo ele, o grupo precisa recuperar a confiança que marcou o início da temporada, quando o Paysandu conquistou títulos e viveu uma sequência positiva de resultados.
“Quando eu me lesionei, a gente vinha de um título e de um momento muito positivo. Tenho procurado lembrar ao grupo da qualidade que temos. Às vezes, o que falta é um pouco mais de confiança para voltar a jogar da forma como sabemos.”
Questionado sobre a possibilidade de o elenco ter relaxado após as conquistas do Campeonato Paraense, Copa Norte e Copa Verde, o volante descartou essa hipótese. Na avaliação do jogador, a queda de rendimento está mais ligada ao desgaste físico provocado pela intensa sequência de partidas.
“Relaxamento não aconteceu. O Júnior cobra muito no dia a dia para que ninguém baixe a guarda, mas houve um desgaste grande. Temos jogadores que acumularam uma carga muito alta de jogos e isso acaba impactando também nas decisões dentro de campo.”
Eficiência ofensiva é uma das prioridades
Mesmo com os resultados negativos, Caio acredita que o Paysandu continua produzindo ofensivamente. O problema, segundo ele, está na falta de eficiência nas conclusões.

Nos dois compromissos mais recentes, o Papão finalizou 48 vezes, mas balançou as redes apenas duas vezes, número considerado baixo diante do volume criado pela equipe.
“A gente está criando bastante. O que falta é voltar a ter aquele capricho no último terço do campo, ter mais calma na hora da finalização. Tenho certeza de que, retomando essa confiança, os gols voltarão a sair naturalmente.”
O retorno do camisa 8 também representa um reforço importante para o setor de meio-campo, que perdeu equilíbrio durante sua ausência. Recuperado antes do prazo inicialmente previsto, Caio afirmou estar plenamente recuperado para voltar a ajudar o time.
“Foi uma lesão complicada, mas consegui antecipar a recuperação com muito trabalho. Estou 100%, treinando normalmente com o grupo e muito motivado para voltar a contribuir e ajudar o Paysandu a conquistar essa vitória fora de casa.”
“Jogo de seis pontos” pode definir caminho do Paysandu
Com apenas sete rodadas restantes para o encerramento da primeira fase, Caio classificou o duelo diante do Ypiranga como um confronto direto na luta pela classificação.
“É um jogo de seis pontos. O campeonato está muito embolado e qualquer resultado muda bastante a classificação. Nosso foco principal hoje é garantir a classificação para a próxima fase. Depois disso, começa praticamente um novo campeonato.”
Além da qualidade do adversário, o volante alertou para as dificuldades que o Paysandu encontrará em Erechim, principalmente por causa das condições climáticas e do gramado.
“Já joguei lá e sabemos que não é um campo fácil. Tem chovido bastante, então será uma partida muito disputada, de primeira e segunda bola. Precisamos estar preparados para esse tipo de jogo.”
Com o retorno de uma de suas principais peças e um discurso de confiança, o Paysandu espera transformar a indignação em reação dentro de campo. Uma vitória sobre o Ypiranga pode recolocar o Papão no caminho da regularidade e aliviar a pressão na reta final da primeira fase da Série C.
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