Foto: Divulgação -Paysandu

Paysandu aparece com débito milionário em edital do TJPA

Nessa terça-feira (5), foi publicado o edital de credores da recuperação judicial do Paysandu, fornecendo detalhes inéditos sobre a magnitude e a composição da crise financeira que o clube está enfrentando. O documento, publicado pela 12ª Vara Cível e Empresarial de Belém do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, tanto oficializa uma fase necessária do processo quanto estabelece quem são os credores, quanto cada um receberá e quais serão os próximos passos da reestruturação.

Márcio Tuma assume presidência do Paysandu e prioriza resolução de dívidas trabalhistas | Jorge Luis Totti, ascom Paysandu

O edital inclui um total de 123 credores, divididos em diferentes classes, conforme estipulado pela lei. A classe trabalhista é a mais numerosa, com 102 nomes, o que reflete o passivo acumulado com ex-atletas, funcionários e prestadores de serviço. Esses créditos totalizam aproximadamente R$ 2,98 milhões, com valores bastante dispersos, desde pequenas quantias, como R$ 240, até montantes mais significativos relacionados a contratos esportivos.

Por outro lado, entre os credores quirografários, que não têm garantia, a situação é bastante distinta: são apenas nove credores, mas que detêm R$ 12,86 milhões. Um único credor, o ex-presidente Roger Aguilera, é responsável por mais de R$ 12,3 milhões, demonstrando um alto grau de concentração que pode influenciar as negociações futuras. As micro e pequenas empresas estão em menor quantidade, com 12 credores e cerca de R$ 989 mil a receber, representando a cadeia de serviços que gira em torno do clube.

Sede social do Paysandu. Clube passa por recuperação judicial determinada no ano passado | Reprodução/Paysandu

Quando somadas, as dívidas passíveis de recuperação judicial totalizam aproximadamente R$ 16,8 milhões. Contudo, o dado mais surpreendente está fora desse recorte. O edital também menciona uma dívida fiscal de cerca de R$ 55 milhões, relacionada à União, ao Estado e à Prefeitura de Belém. Por determinação legal, esses montantes não são incluídos na recuperação judicial, obrigando o clube a procurar alternativas paralelas para resolver sua situação fiscal.

No documento submetido à Justiça, o Paysandu estabelece condições para seus credores. A proposta prevê um desconto de 85% para as classes de quirografários e microempresas, o que significa que apenas 15% do valor original das dívidas precisaria ser pago. Ademais, o clube pede um período de carência de 36 meses antes de iniciar os pagamentos, seguido de um parcelamento que pode durar até 120 meses, resultando em um prazo de quitação de até dez anos.