Márcio Tuma, presidente do Paysandu — Foto: Jorge Luís Totti/Paysandu
Márcio Tuma, presidente do Paysandu — Foto: Jorge Luís Totti/Paysandu

Paysandu fecha semestre com superávit milionário; entenda

O Paysandu encerrou o primeiro semestre de 2026 com um resultado financeiro positivo. Após registrar prejuízo acumulado até maio, o clube fechou junho com superávit de R$ 5,5 milhões, impulsionado pelo aumento das receitas e pelo desempenho do futebol profissional.

Os números constam nos demonstrativos contábeis publicados no Portal da Transparência do clube e mostram uma melhora significativa no caixa, além da redução das dívidas de curto prazo.

O que explica a melhora nas contas do Paysandu?

O principal fator foi o crescimento das receitas. Em maio, o clube havia arrecadado R$ 4,9 milhões. Já em junho, o faturamento saltou para R$ 12,45 milhões, um aumento superior a 154%. Enquanto a arrecadação cresceu de forma expressiva, as despesas tiveram um avanço bem menor.

Os gastos passaram de R$ 5,73 milhões para R$ 6,94 milhões, alta de aproximadamente 21%. Esse equilíbrio permitiu ao Paysandu reverter o prejuízo de R$ 841,8 mil acumulado até maio e terminar o semestre no azul.

Como ficou a situação do caixa?

Outro indicador positivo foi o aumento da disponibilidade financeira. O caixa do clube passou de R$ 5,86 milhões para R$ 12,49 milhões entre maio e junho, crescimento superior a 110%.

Na prática, isso amplia a capacidade do Paysandu de cumprir compromissos financeiros, realizar investimentos e reduzir a necessidade de recorrer a empréstimos de curto prazo.

O futebol continua sendo o principal responsável pelas receitas?

Sim. O balanço deixa claro que o futebol segue sustentando praticamente toda a estrutura financeira do clube. Somando o futebol profissional e as categorias de base, o setor arrecadou R$ 11,56 milhões no semestre, com despesas de R$ 5,88 milhões, gerando um superávit de R$ 5,67 milhões.

Isso significa que cerca de 93% de toda a receita do Paysandu veio do departamento de futebol. Por outro lado, o clube social e os esportes olímpicos continuam operando com déficit, mantendo a forte dependência do desempenho da modalidade principal.

As dívidas diminuíram?

Os demonstrativos apontam uma redução expressiva das obrigações de curto prazo. O passivo circulante caiu de R$ 44,52 milhões para R$ 25,06 milhões, redução de cerca de R$ 19,5 milhões.

Parte dessa queda ocorreu porque aproximadamente R$ 18,85 milhões em débitos foram reclassificados dentro do processo de Recuperação Judicial, envolvendo credores trabalhistas, quirografários e micro e pequenas empresas.

Além disso, as obrigações trabalhistas e previdenciárias diminuíram mais de R$ 8 milhões, passando de R$ 26,94 milhões para R$ 18,63 milhões.

O que os números mostram sobre o futuro do Paysandu?

O balanço evidencia que o Paysandu vive um momento financeiro mais sólido do que em temporadas recentes. O crescimento das receitas, o fortalecimento do caixa e a reorganização das obrigações representam avanços importantes dentro do processo de recuperação financeira.

Ao mesmo tempo, os números reforçam um desafio para os próximos meses: diversificar as fontes de arrecadação. Atualmente, quase toda a saúde financeira do clube depende do desempenho do futebol, enquanto os demais setores ainda não conseguem gerar receitas suficientes para equilibrar as contas de forma independente.