Foto: Paysandu

Paysandu obtém aval da Justiça para iniciar recuperação judicial

O Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) aprovou o pedido de recuperação judicial do Paysandu, permitindo que o clube comece oficialmente a reestruturação de suas finanças sob a supervisão da Justiça. A decisão suspende temporariamente as execuções e bloqueios contra o clube, permitindo a renegociação das dívidas de forma estruturada.

(Divulgação Paysandu / Site do Paysandu)

O juiz Ivan Delaquis Perez, da 12ª Vara Cível e Empresarial de Belém, assinou a medida na sexta-feira passada (20). Na sentença, o juiz afirmou que, apesar de ser uma associação civil, o clube realiza atividades econômicas e, portanto, tem o direito de usar esse recurso legal para tentar superar a crise financeira e impedir a falência.

De acordo com os dados fornecidos no processo, a equipe bicolor afirmou ter uma dívida de cerca de R$ 16,7 milhões. Dentre os fatores mencionados, destacam-se problemas no pagamento de funcionários, impostos e fornecedores, além de instabilidade esportiva, com rebaixamentos no Campeonato Brasileiro e altos custos operacionais. Além disso, o clube comunicou que estava lidando com bloqueios judiciais resultantes de processos de cobrança, o que afetava diretamente o fluxo de caixa.

Detalhes do novo uniforme com escudo bordado - Crédito: Reprodução/Redes sociais do clube
– Crédito: Reprodução/Redes sociais do clube

O juiz designou a empresa LRF Líderes em Recuperação Judicial, representada pela advogada Natália Pimentel Lopes, de Recife, como administradora judicial. Optou-se por uma empresa externa ao Pará para assegurar a imparcialidade e neutralidade na realização do processo. A administradora já trabalhou em processos de recuperação relacionados ao Sport Club do Recife e ao Clube Náutico Capibaribe.

Com a aprovação, todas as ações e execuções de dívidas contra o Paysandu ficam suspensas por um período específico, denominado “stay period”. Nesse período, o clube deve apresentar um plano de pagamento detalhado aos credores em até 60 dias.

Foto: Divulgação -Paysandu

Além disso, a decisão estabelece que o andamento do processo deve ser transparente. A solicitação de sigilo foi rejeitada, e as informações foram divulgadas para que torcedores, credores e outros interessados possam acompanhar.

Dentre as exigências estabelecidas, o clube deve submeter relatórios financeiros mensais até o dia 15 de cada mês. Em relação aos credores, o juiz determinou que as habilitações ou contestações de crédito não devem ser realizadas diretamente no processo principal, mas em procedimentos adequados, de acordo com os editais que serão divulgados com a lista oficial de credores.