Elenco do Paysandu
Foto: Jorge Luís Totti/Paysandu

Paysandu vê padrão preocupante que pode custar caro na Série C

O desempenho defensivo tem sido um dos maiores desafios do Paysandu na Série C do Campeonato Brasileiro. Após 15 rodadas, o Papão acumula 21 gols sofridos, ostenta a segunda defesa mais vazada da competição e conseguiu sair de campo sem ser vazado em apenas duas oportunidades. Os números ajudam a explicar a queda de rendimento da equipe na reta decisiva da primeira fase.

Um levantamento detalhado realizado pelo GE Pará mostra que os gols sofridos não aconteceram de maneira aleatória. A análise identifica padrões que vêm se repetindo ao longo da campanha, como falhas individuais, dificuldade para afastar o perigo após a primeira intervenção defensiva, problemas na marcação de cruzamentos e vulnerabilidade em jogadas de bola parada.

Com apenas quatro rodadas restantes para o fim da primeira fase, corrigir essas situações passa a ser fundamental para que o Paysandu permaneça entre os oito primeiros colocados e confirme a classificação ao quadrangular decisivo.

Erros individuais têm impacto direto na campanha

De acordo com o levantamento, sete dos 21 gols sofridos pelo Papão tiveram origem em falhas individuais, o equivalente a 33,3% do total.

A análise considera erros técnicos ou decisões equivocadas que deram vantagem direta aos adversários durante as jogadas. Esses lances ocorreram em diferentes momentos da competição e envolveram situações variadas, desde cortes incompletos até dificuldades na recomposição defensiva.

Entre os exemplos está o duelo contra o Santa Cruz, quando um escanteio terminou em gol contra de Juninho após desvio na primeira trave. Outro episódio aconteceu diante do Amazonas, quando Bruno Bispo cometeu o pênalti convertido por Nico na reta final da partida.

Esses episódios evidenciam que, além da organização coletiva, o Paysandu também tem sido penalizado por lances pontuais que acabam influenciando diretamente os resultados.

Mais de 30% dos gols sofridos pelo Paysandu vieram de erros individuais. Foto: Victor Moura/TV Liberal

Segundas bolas se transformam em problema recorrente

Outro dado que chama atenção diz respeito às chamadas segundas bolas. Em sete oportunidades, o sistema defensivo conseguiu interromper parcialmente a jogada, mas não afastou definitivamente o perigo, permitindo que o adversário aproveitasse o rebote dentro da área. Esse tipo de situação representa, igualmente, 33,3% dos gols sofridos pelo Papão.

Na segunda rodada, diante do Brusque, por exemplo, Cipriano iniciou a jogada, viu a bola explodir no travessão e aproveitou o rebote para marcar de cabeça.

Situação semelhante aconteceu contra o Figueirense. Após defesa parcial de Gabriel Mesquita em cobrança de escanteio, Lucas Alves apareceu livre para concluir e abrir o placar. No segundo tempo da mesma partida, outro rebote dentro da área permitiu a Emerson Galego marcar o gol da vitória catarinense.

O padrão se repetiu também no confronto contra o Amazonas. Depois de um cruzamento pela esquerda, Bruno Bispo desviou de cabeça, mas a bola permaneceu viva dentro da área. Nico aproveitou a sobra, driblou a marcação e empatou o jogo.

Os números mostram dificuldade da equipe em concluir a ação defensiva logo na primeira intervenção, permitindo novas oportunidades aos adversários.

Cruzamentos seguem sendo uma das principais armas dos adversários

As jogadas pelos lados do campo também aparecem com frequência na origem dos gols sofridos pelo Paysandu. Segundo o levantamento, sete gols nasceram de cruzamentos para a área, representando outro terço do total de gols sofridos.

Esse tipo de lance esteve presente em partidas contra Botafogo-PB, Caxias, Inter de Limeira, Figueirense e Amazonas, entre outras.

Contra o Caxias, por exemplo, Ravanelli abriu o placar após cobrança levantada pela direita. Já diante da Inter de Limeira, Buchecha apareceu livre para completar um cruzamento rasteiro logo nos primeiros segundos do segundo tempo.

No confronto contra o Santa Cruz, Ronald fez a jogada pelo lado do campo antes de encontrar Fabinho livre dentro da área para marcar o terceiro gol da equipe pernambucana.

A repetição desse cenário indica que os adversários têm conseguido encontrar espaços nas laterais para construir oportunidades de finalização.

Bolas paradas também geram preocupação

Outro fundamento que exige atenção é a marcação em bolas paradas. Quatro gols sofridos pelo Paysandu tiveram origem em cobranças de escanteio ou faltas alçadas para a área.

Além do gol contra diante do Santa Cruz, o levantamento aponta o primeiro gol sofrido contra o Guarani, quando Gabriel Mesquita falhou ao tentar afastar uma cobrança de escanteio, deixando a bola nos pés de Hebert.

Na sequência da mesma partida, Maurício Antônio marcou após cobrança de falta que atravessou a área antes da conclusão.

Esses lances reforçam a necessidade de ajustes no posicionamento defensivo em situações de bola parada, fundamento decisivo em competições equilibradas como a Série C.

Finalizações de média distância também castigam o Papão

Os adversários não têm levado perigo apenas dentro da área. Quatro gols sofridos pelo Paysandu aconteceram em chutes de média ou longa distância, mostrando que os espaços concedidos também aparecem fora da área.

Warley Jr., pelo Barra, empatou a partida com uma finalização de fora da área. Situação parecida ocorreu diante da Inter de Limeira, quando Yan Silva ampliou o marcador em um chute forte de longa distância.

Contra o Santa Cruz, Everaldo também balançou as redes em uma conclusão de fora da área, enquanto Fernandinho, do Anápolis, arriscou de longe e contou com um desvio para vencer Gabriel Mesquita.

Esse tipo de jogada demonstra que os adversários têm encontrado liberdade para finalizar antes mesmo de entrar na área bicolor.

Foto: Jorge Luís Totti/Paysandu

Gabriel Mesquita aparece em parte dos lances analisados

O levantamento também mostra que Gabriel Mesquita teve participação direta em cinco dos 21 gols sofridos pelo Paysandu, o equivalente a 23,8%.

A análise considera tanto falhas evidentes quanto situações em que uma intervenção mais eficiente poderia ter evitado ou reduzido a chance de gol.

Entre os lances destacados estão o rebote concedido diante do Figueirense, a defesa incompleta contra o Ypiranga, que originou o gol de Renan Gorne, além das dificuldades nas bolas paradas contra o Guarani.

Apesar disso, o estudo não atribui a responsabilidade exclusivamente ao goleiro. Em diversos momentos, os problemas defensivos envolveram falhas coletivas, dificuldades de marcação e pouca eficiência para afastar o perigo após a primeira disputa pela bola.

Com 21 gols sofridos em 15 rodadas, o Paysandu chega à reta final da primeira fase precisando corrigir rapidamente essas vulnerabilidades. A equipe ocupa atualmente a quinta colocação da Série C, mas a disputa pelas vagas no G8 segue bastante equilibrada. Diante desse cenário, melhorar o desempenho do sistema defensivo será um dos principais desafios do Papão para manter vivo o objetivo de avançar ao quadrangular decisivo da competição.