O Paysandu começa a enxergar resultados concretos do processo de Recuperação Judicial. Um relatório elaborado pela administradora judicial responsável pelo acompanhamento das contas do clube mostra que, entre fevereiro e abril de 2026, o Papão registrou crescimento expressivo nas receitas, fortaleceu o caixa e melhorou indicadores financeiros importantes.
Apesar disso, o documento também evidencia que o caminho para o equilíbrio financeiro ainda será longo. As informações, divulgadas inicialmente pelo DOL, mostram que o clube vive um momento de transição: enquanto a capacidade de arrecadação aumenta, o elevado volume de dívidas continua sendo o principal obstáculo para a consolidação da recuperação.

Receitas cresceram mais de 70% em três meses
O dado que mais chama atenção no relatório é a evolução das receitas. Em fevereiro, o Paysandu faturou R$ 5,47 milhões. No mês seguinte, esse valor saltou para R$ 8,49 milhões, chegando a R$ 9,41 milhões em abril.
No acumulado do trimestre, o clube arrecadou R$ 23,37 milhões, crescimento de aproximadamente 72% entre o primeiro e o último mês analisado.
Segundo a administradora judicial, boa parte desse avanço foi impulsionada pelo aumento das chamadas “Outras Receitas”, categoria que engloba diferentes fontes de arrecadação e que apresentou forte expansão durante o período.
Além disso, continuam contribuindo para o faturamento receitas provenientes de patrocínios, programa de sócio-torcedor, licenciamento da marca, premiações esportivas, aluguel de espaços e exploração comercial.
Caixa cresce quase quatro vezes
Outro indicador considerado positivo foi a evolução do caixa do clube. Em apenas três meses, o dinheiro disponível passou de aproximadamente R$ 1,7 milhão para R$ 6,4 milhões, refletindo uma melhora significativa na capacidade do Paysandu de gerar recursos para manter suas atividades e cumprir compromissos financeiros.
Esse crescimento também impactou diretamente os índices de liquidez, utilizados para medir a capacidade de pagamento das obrigações. Embora todos os indicadores permaneçam abaixo do considerado ideal pelos especialistas, o relatório destaca que houve evolução em todas as medições realizadas entre fevereiro e abril.
Na prática, isso significa que o Paysandu ainda não teria recursos suficientes para quitar todas as dívidas caso elas vencessem simultaneamente, mas a distância entre o caixa disponível e as obrigações diminuiu ao longo do trimestre.
Dívida continua sendo o maior desafio
Se por um lado o faturamento aumentou, por outro o tamanho das obrigações financeiras ainda preocupa. Ao final de abril, o passivo total do Paysandu chegou a R$ 111,55 milhões, valor que engloba débitos trabalhistas, tributários, fornecedores, parcelamentos e outras obrigações.
Desse montante, R$ 18,89 milhões fazem parte diretamente do processo de Recuperação Judicial. O relatório chama atenção para outro fator considerado sensível: cerca de 70% das dívidas vencem no curto prazo, exigindo que o clube mantenha uma geração constante de caixa para evitar novos atrasos. Entre os maiores compromissos estão as obrigações trabalhistas, que somam R$ 27,74 milhões.
Gastos seguem elevados
A manutenção das atividades também exige investimentos consideráveis. Somente em abril, o Paysandu registrou R$ 6,88 milhões em despesas operacionais. Os maiores desembolsos ocorreram com a folha salarial, que consumiu R$ 1,82 milhão, além das despesas administrativas, responsáveis por outros R$ 1,26 milhão.
O clube também manteve investimentos em estrutura, atendimento médico, materiais esportivos e funcionamento das atividades administrativas e esportivas.
Patrimônio melhora, mas relatório faz alerta
Outro aspecto observado pela administradora judicial diz respeito ao patrimônio do clube. O patrimônio líquido apresentou evolução e encerrou abril em R$ 44,75 milhões, impulsionado pelo superávit operacional registrado no mês e pela redução do déficit acumulado.
Por outro lado, o relatório faz uma ressalva importante em relação ao controle patrimonial. Segundo a administradora, ainda existem fragilidades na conferência dos bens registrados contabilmente, o que impede afirmar, neste momento, que todos os ativos lançados nos demonstrativos correspondam integralmente ao patrimônio físico existente.
Recuperação avança, mas exige disciplina
A avaliação geral do relatório é de que o Paysandu iniciou um processo consistente de reorganização financeira. O crescimento das receitas, o fortalecimento do caixa e a melhora dos indicadores de liquidez demonstram que a Recuperação Judicial começa a produzir resultados práticos.
Entretanto, o elevado endividamento, especialmente de curto prazo, continua exigindo disciplina administrativa e aumento constante da capacidade de arrecadação. Os próximos meses serão decisivos para mostrar se o clube conseguirá manter essa trajetória positiva e transformar a melhora dos números em uma recuperação financeira sustentável a longo prazo.

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