A derrota do Paysandu por 2 a 1 para o Amazonas, pela 15ª rodada da Série C do Campeonato Brasileiro, ganhou novos contornos após a divulgação dos bastidores vividos pelo adversário antes da partida. Mesmo enfrentando um clube mergulhado em uma grave crise financeira e administrativa, o Papão acabou sendo derrotado de virada e desperdiçou uma oportunidade importante de se manter entre os primeiros colocados da competição.
O resultado impediu a equipe paraense de seguir no G-4 e aumentou a pressão na reta final da primeira fase da Série C. Atualmente, o Papão ocupa a sexta colocação, com 23 pontos, e vê a disputa pelas vagas no quadrangular do acesso cada vez mais equilibrada.
Já o Amazonas, apesar da vitória, segue enfrentando uma série de dificuldades fora das quatro linhas. Problemas financeiros, ações judiciais, punições da Fifa e até transtornos na concentração antecederam o confronto diante do clube bicolor.
Bastidores revelam dificuldades enfrentadas pelo Amazonas
Os problemas vividos pelo time amazonense foram detalhados pelo repórter Rodolfo Sousa, da Rádio Liberal+, durante participação em programa esportivo nesta quinta-feira (30).
Segundo o jornalista, o elenco aurinegro convive com cinco meses de salários atrasados e enfrentou uma série de imprevistos na preparação para a partida contra o Paysandu.
“O Amazonas está devendo salários há cinco meses. O time foi concentrar no CT do Manauara e faltou energia. Os jogadores foram liberados para suas residências em Manaus. Alguém teve a ideia de pedir para os jogadores voltarem para concentrar na metade da manhã do dia do jogo. Na hora do almoço faltou energia. Os jogadores não almoçaram e foram para casa. Quem quis comer tambaqui comeu, quem não quis comer não comeu e o Paysandu perdeu para o Amazonas.”

Crise financeira atinge elenco e estrutura do clube
Os problemas da Onça-Pintada vão além dos episódios registrados no dia do jogo. O clube acumula aproximadamente cinco meses de atrasos salariais, situação que provocou o ingresso de ações trabalhistas por parte de jogadores do elenco.
Até o momento, seis atletas recorreram à Justiça para solicitar a rescisão indireta dos contratos. Erick Varão e Jorge Jiménez já obtiveram decisões favoráveis para deixar o clube. Outros quatro jogadores — Gabriel Cipriano, Rafael Vitor, Renan e Léo Coelho — aguardam o andamento dos processos, fundamentados em alegações de atrasos de salários, ausência de depósitos do FGTS e descumprimento de outras obrigações trabalhistas.
Transfer bans dificultam planejamento do Amazonas
Além dos problemas financeiros, o Amazonas enfrenta restrições impostas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa). O clube possui seis transfer bans registrados, situação que limita a inscrição de novos jogadores.
Três dessas punições impedem o registro de atletas até que as pendências financeiras sejam regularizadas. Outras três sanções têm validade para as próximas janelas de transferências, aumentando os desafios para a reformulação do elenco.
Paysandu desperdiça chance importante na classificação
Para o Papão, a derrota teve impacto direto na tabela da competição. Além de perder a oportunidade de permanecer entre os quatro primeiros colocados, o clube viu a disputa pelas vagas no G-8 ficar ainda mais apertada.
A equipe soma atualmente 23 pontos e ocupa a sexta posição. Restando apenas quatro rodadas para o encerramento da primeira fase, a margem para os concorrentes diminuiu significativamente.
Papão terá período de preparação antes da próxima rodada
Após o revés em Manaus, o Paysandu terá alguns dias para reorganizar a equipe antes do próximo compromisso pela Série C. O time comandado por Júnior Rocha volta a campo no dia 10 de agosto, quando recebe o Confiança-SE, às 20h, na Curuzu, pela 16ª rodada.
O confronto será importante para as pretensões do Papão na competição, já que a equipe busca consolidar sua permanência na zona de classificação para o quadrangular do acesso.

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