O confronto entre Santa Rosa Esporte Clube e Paysandu, agendado para este domingo (15), às 15h30, no estádio Ipixunão, pela rodada final da primeira fase do Parazão 2026, ocorrerá sem transmissão na TV aberta, na TV Cultura do Pará ou em canais de streaming parceiros. O cenário é consequência direta de um conflito financeiro e institucional entre clubes do interior, Funtelpa e Federação Paraense de Futebol, reavivando a discussão sobre direitos de arena e modelos de exploração audiovisual no Campeonato Paraense.

A confirmação da ausência de transmissão ocorreu após o Santa Rosa optar por não participar do acordo coletivo estabelecido pela maioria dos clubes com a emissora pública do estado. Assim, o torcedor que deseja ver o jogo precisará acessar a transmissão exclusiva do clube mandante em seu canal no YouTube, disponível apenas para membros pagantes com assinatura mensal de R$ 11,99.
A partida não será transmitida nem na TV aberta nem no Canal do Benja, plataforma de streaming parceira da federação. Isso gerou ainda mais repercussão e descontentamento entre os torcedores.

As negociações sobre os valores que os clubes do interior receberiam pelas transmissões do Campeonato Paraense foram o ponto de partida do conflito. Em uma reunião coletiva, essas equipes pediram um aumento de 30% nas cotas que a Funtelpa repassou em comparação com a temporada anterior.
A emissora fez uma contraproposta com um acréscimo de 10%, amaioria dos clubes concordou com o novo percentual, porém o Santa Rosa optou por não aceitar o acordo, mantendo uma postura firme nas negociações.
De acordo com Luiz Omar Pinheiro, presidente do clube, a decisão é uma questão de proteção financeira e institucional. O dirigente também rejeitou a existência de qualquer acordo informal ou tentativa de silenciamento nas discussões, ressaltando que a atitude representa a luta por direitos.
Luiz Omar Pinheiro também afirmou que o Canal do Benja não transmitirá jogos do Santa Rosa sem pagamento direto ao clube, justificando que o modelo vigente não assegura um retorno financeiro imediato.
O jornalista Ronaldo Santos, do canal RS Live, compartilhou uma declaração do presidente da Federação Paraense de Futebol, Ricardo Gluck Paul. Em participação no É Sal Podcast, conduzido pelo jornalista Walmir Rodrigues, Paul esclareceu que há dois tipos diferentes de contratos de transmissão para o campeonato estadual:
- TV aberta (Funtelpa): paga valores fixos previamente estabelecidos aos clubes, independentemente do sucesso comercial das transmissões;
- Streaming (Canal do Benja): funciona em regime de “revenue share”, ou seja, divisão de receitas obtidas com publicidade e patrocínio. Nesse formato, o repasse aos clubes depende do desempenho financeiro da plataforma.
Segundo a federação, ainda não houve receitas suficientes provenientes do streaming para uma distribuição significativa entre as equipes.
A posição do Santa Rosa tem suporte legal na Lei do Mandante (Lei n.º 14.205/2021), que modificou as regras do direito de arena no futebol brasileiro.
Pelos dispositivos legais:
- O clube mandante tem direito exclusivo de autorizar ou proibir a captação e a transmissão de imagens da partida;
- Pode negociar individualmente seus direitos audiovisuais;
- A transmissão depende da anuência do mandante, salvo contratos firmados antes da vigência da lei.
Na prática, a lei aumentou a liberdade dos clubes para determinar como e onde suas partidas serão exibidas, o que permite ao Santa Rosa limitar a transmissão e negociar diretamente os termos comerciais.
A situação gera debates sobre a visibilidade e a sustentabilidade financeira dos clubes do interior. A falta de transmissão em larga escala pode diminuir a visibilidade da marca e a exposição dos patrocinadores, mas também destaca a busca por maior reconhecimento das equipes menores no campeonato.
Simultaneamente, os torcedores ficam restritos aos serviços pagos, em oposição à tradição de transmissões gratuitas do estadual na TV aberta.
Embora a decisão atual tenha sido tomada, o cenário ainda não está totalmente encerrado, se houver um acordo financeiro de última hora entre as partes envolvidas, a partida ainda poderá ser transmitida por outros meios. Contudo, até agora, a tendência é que a exibição ocorra apenas na plataforma paga do Santa Rosa.
Ao mesmo tempo, o episódio destaca a crescente tensão entre os modelos tradicionais de TV, novas plataformas digitais e o fortalecimento jurídico dos clubes após a Lei do Mandante. Esse debate deve continuar a impactar os próximos capítulos do futebol paraense.
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